Essa semana vi alguns filmes que estranhamente se conectam. Across the universe (musical que tem como pano de fundo as músicas dos Beatles e se passa na época dos hippies paz e amor), Natureza Selvagem (Filme de Sean Peann que fala de um rapaz que deixa sua vida para trás e parte em uma jornada de auto-conhecimento) e Paris, Eu te amo (que são vários curtinhas sobre a Cidade Luz).
O primeiro é um filme bacana, que tem seus momentos bons e ruins, não achei o filme sensacional...mas é interessante. A história do filme caminha junto com as músicas dos Beatles - que em um primeiro momento parecem ser bobinhas "Love me, love me do", "I wanna hold your hand" etc...mas transparecem muito mais que isso. Canções leves e pesadas que falam de revolução, de um novo mundo...do mundo que existe e daquele que queremos viver.


Na música "Strawberry Fields Forever" tem uma frase emblemática: "Living is easy with eyes closed". Viver é fácil com os olhos fechados. Os personagens do filme Across the universe, por exemplo, vivem em uma utopia paz e amor ao lado da guerra do Vietña.
Já no filme "Natureza Selvagem",o jovem Christopher McCandless preferiu abrir os olhos para a verdadeira existência. A mais primitiva de todas. Baseado em uma história real, o filme narra a vida do jovem, que após se formar na faculdade, apaga sua existência da sociedade e caminha sem destino em busca de um sentido para sua vida.
As lágrimas caem nessa hora, não adianta segurar.Desde que nascemos, estamos preparados para seguir o caminho considerado o caminho do sucesso... crescer - se formar - arrumar um emprego - casar - ter uma família - se aposentar - e morrer. Mas a vida é algo muito mais complexo e que pode ser imprevisível...E se eu não quiser ter filhos? Ou não quiser me casar? Ou ainda, se eu quiser abrir um negócio em vez de trabalhar em uma empresa? E se...?
É dificil responder quando há tantas possibilidades.
Outra parte interessante do filme é quando Christopher está em Los Angeles, depois de ter ficado bastante tempo fora de uma cidade grande, e fica angustiado com a diferença social e a indiferença que as pessoas tem umas com as outras. Ele tinha se inscrito em um abrigo para dormir, mas depois de andar na cidade e perceber como uma cidade grande pode ser cruel (em suas relações humanas) que ele desiste de dormir lá e parte de novo para o campo.
O filme é um ótimo começo para começar a pensar nos caminhos que estamos trilhando ou queremos trilhar / ou ainda nas relações que temos com os outros. As amizades que Christopher McCandless faz pelo caminho também mostram pessoas que ou são felizes de um modo alternativo ou ainda não encontraram sua felicidade e apenas precisam de um empurrão de alguém para conseguir.
No fim, o rapaz chega a conclusão que a felicidade só é verdadeira quando compartilhada. E essa é uma conclusão também da personagem do último curta do filme Paris, eu te amo. Uma senhora americana (Carol) que vai passar 5 dias em Paris - porque, segundo ela, não pode ficar mais por conta de seus dois cachorros. Em um determinado momento, ela vê toda a cidade de Paris de um arranha-céu e fica maravilhada com a vista. Mas lamenta que não tenha ninguém que compartilhe essa felicidade com ela.
Confundi Simone de Beauvoir com Simon Bolivar, que mancada! Paris, Eu te amo também é uma delícia de se ver. Tem curtas para todos os gostos. Tem Gérard Depardieu, Natalie Portman,Steve Buscemi,Maggie Gyllenhaal e muita gente bacana.
Os três filmes caminham entre o leve (humor, amor, amizades) e o dramático (tristeza, solidão). Com certeza vão levar seus espectadores a pensar e ousar um pouco mais em suas vidas e, principalmente, a perceber o que faz realmente os olhos brilharem na história de cada um.